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Já se disse que o Brasil é um País injustamente desenvolvido. Um país desigual é o que registra nossa Constituição. Portanto, se a redução das desigualdades é nossa prioridade e é o grande empecilho que entrava nosso desenvolvimento, por outro lado, estou cada vez mais certo que a solução para esse agudo problema é o efetivo exercício da Responsabilidade Social, de forma compartilhada, pelos três setores da sociedade: o Estado, o Mercado e a Sociedade Civil Organizada. É, na minha ótica, o grande negócio para a sociedade.
Assim, se o Estado – o Primeiro Setor, administra de forma íntegra e competente os recursos públicos; descentraliza sua ação; age de forma parceira com a sociedade, dinamiza sua atuação e, dessa forma, certamente, melhor investirá sua força e melhor distribuirá nossas riquezas. Como conseqüência, fatalmente receberá o reconhecimento da população e aqueles da administração política, receberão do eleitor, o reconhecimento nas urnas de votação. Seguramente um bom negócio para o Estado, para o administrador público político e para a sociedade.
Semelhante raciocínio aplica-se ao Mercado - Segundo Setor, representado pelas empresas, hoje o empresariado social e ambientalmente responsável. Aliás, diga-se de passagem, o exercício transparente da responsabilidade social não é mais apenas um bom negócio mas, nesse mundo globalizado, fundamental ao sucesso do próprio negócio e a sobrevivência empresarial. E isso, quem diz, não sou eu, mas as pesquisas mundiais; nos EUA e na Europa onde a responsabilidade social é uma questão consolidada e global. No Brasil, trata-se de uma clara tendência ascendente onde está se firmando uma postura social e ambientalmente responsável como fundamento necessário ao sucesso e sobrevivência das empresas visionárias.
Assim, pode-se observar com clareza que hoje Responsabilidade Social Empresarial não é mais custo, gasto, generosidade ou filantropia. É investimento! E investimento estratégico, seja por ideologia, convicção empresarial ou sobrevivência estratégica; a sua duração através dos tempos!
Dessa forma, a empresa que assim age ganha em competitividade, em imagem favorável junto à sociedade e o lucro passa a ser uma conseqüência inevitável de sua atuação responsável. É, portanto, bem sucedida aquela empresa que se apresenta de forma clara e transparente, com uma boa relação com o cliente, com seus empregados, com as comunidades onde atua, com o meio ambiente e com os poderes constituídos, repassando tudo isso para seus clientes, fornecedores e até concorrentes! Com certeza um bom negócio para todos!
Finalmente focalizo o Terceiro Setor, a famosa Sociedade Cível Organizada onde o núcleo é o cidadão. Aqui se destaca a ação do individuo solitário, por generosidade ou filantropia e aquela ação solidária através de ações estruturantes e reformadoras atuando em Associações (ONGs, Institutos etc.) e Fundações. Dessa forma, o cidadão terá como retorno além do crescimento da sua auto-estima, pois fazer o bem, faz bem, enobrece, e também fortalece a cidadania e, conseqüentemente a democracia. Com certeza, um bom negócio para ele, o Cidadão e para a Sociedade Civil Organizada.
Por último, gostaria de lembrar as palavras de minha mestra do MBE em Responsabilidade Social da UFRJ, pioneiro no Brasil, Doutora Maria Lúcia Werneck “a pobreza é o grande problema para a sociedade” e ousaria aduzir que a sua solução está neste bom negócio para toda a sociedade que é o efetivo exercício da Responsabilidade Social.
* Luiz Antonio de Godoy Alves é Presidente da Federação das Fundações Privadas do Estado do Rio de Janeiro - FUNPERJ, Conselheiro da Fundação João Daudt d`Oliveira, Membro do Conselho Empresarial de Ética e Responsabilidade Social da ACRJ e Vice-Presidente Administrativo Financeiro da Confederação Brasileira de Fundações – CEBRAF.
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